Viagem de Volta ao Mundo (RTW) – Parte 2

     O Viaje pra Valer traz hoje a Parte 2 da série de postagens sobre Viagens de Volta ao Mundo (RTW). Se você não viu a Parte 1, acesse-a clicando aqui. A leitura da Parte 1 é muito importante para compreender o contexto desta série de postagens, então não deixe de acessá-la, ok? Conforme fizemos na Parte 1 desta série, vamos nos referir a uma Viagem de Volta ao Mundo como sendo uma RTW, da sigla em inglês para Round The World Trip.

     Continuando o relato de como realizar um planejamento otimizado para uma RTW, vou comentar a seguir acerca de uma ferramenta importante que eu utilizo. Através do uso desta ferramenta, tenho certeza de que você economizará muito tempo e trabalho ao montar uma RTW, aproveitando a minha experiência neste tipo de emissão.

Como descobrir as rotas aéreas possíveis?

     Este é sem dúvidas o tópico mais importante de todos! Planejar uma RTW envolve, sobretudo, saber como é possível se deslocar por via aérea entre as cidades desejadas, quais cias aéreas operam os voos em questão, em quais dias existem voos entre duas cidades, dentre outros fatores. Isto é muito importante especialmente para aqueles que, assim como eu, pretendem realizar a maioria ou totalidade dos voos de uma RTW emitindo as passagens com milhas, e por que? A resposta é simples: se você tem a sua disposição milhas de um ou mais programas de fidelidade específicos, de nada adiantará encontrar voos de cias aéreas que não são parceiras desses programas de fidelidade!

     Desta forma, realizar a filtragem prévia das rotas aéreas é vital para o sucesso do planejamento não só de uma RTW, mas de qualquer viagem na verdade. Como então podemos fazer isso de uma forma simples e direta? A resposta é a dica de ouro de hoje: usem o site Flight Connections.

     Quando comecei a montar a minha 1ª RTW, minha maior dificuldade foi exatamente solucionar o verdadeiro quebra cabeças de interligar as rotas aéreas possíveis, mas por sorte acabei encontrando este site incrível que é o Flight Connections (disponível em inglês, espanhol e holandês). Apesar de existir uma versão paga dele, adianto que não é necessário pagar para visualizar as rotas, conforme mostrarei em seguida. O pagamento serve basicamente para retirar os anúncios do site e possibilitar alguns filtros adicionais, mas confesso que sempre usei a versão gratuita e nunca senti necessidade de realizar a migração para a versão paga. Logo, sigo utilizando a versão gratuita. Caso alguém se incomode com os anúncios ou queira/precise dos filtros extras, o custo é de 1,99 Euros por mês para Pessoa Física.

     Vamos analisar o primeiro exemplo prático: quero saber todos os voos que saem do Aeroporto de Guarulhos, com qualquer cia aérea. Basta preencher o código IATA (se você não sabe o que é código IATA, clique aqui) do aeroporto de origem no campo “From”, no caso GRU, e apertar a tecla Enter. Caso não saiba o código IATA do aeroporto, você pode também começar a digitar o nome da cidade (não é necessário colocar acentos) e o próprio site vai exibir as opções de seleção. Você também pode pesquisar no Google o código IATA do aeroporto. No canto superior direito da tela, existe um botão vermelho com o comando Reset, para limpar a tela e reiniciar o processo. Vemos que no mapa são exibidas todas as rotas aéreas que saem de GRU.

     Ao passarmos a seta do mouse por cima de todos os círculos no mapa (usem e abusem da ferramenta de zoom e também da possibilidade de arrastar o mapa, mantendo o botão direito do mouse pressionado e movimentando-o em qualquer direção), vemos que cada círculo representa um aeroporto em específico. Vamos, por exemplo, clicar no círculo que representa o Aeroporto de Montreal (YUL).

     Percebam, na figura acima, o poder da informação disponibilizada: é dito que a rota de Guarulhos para Montreal (GRU – YUL) somente opera de Dezembro a Março (trata-se, portanto, de um voo sazonal), que a única cia aérea que opera o voo é a Air Canada e que o voo (de Dezembro a Março) somente opera às segundas, quintas e sábados. Fantástico, não acham?! Com um procedimento super simples, obtive acesso a todas as informações necessárias para planejar a rota desejada, no caso GRU-YUL! Este foi exatamente o 1º voo da minha 1ª RTW, mas sobre isso eu vou comentar posteriormente.

     Vamos agora mostrar outra forma de utilizar o Flight Connections. Suponha que uma vez chegando a Montreal, eu tenha liberdade de fazer qualquer roteiro nas vizinhanças mas queira ao final chegar a Vancouver (código IATA: YVR). Desta forma, eu não preciso me preocupar em procurar diretamente pela rota de Montreal para Vancouver (YUL-YVR). O que farei então é descobrir que voos chegam a Vancouver, vindos de quaisquer cidades do mundo. Para isso, basta preencher YVR como aeroporto de destino, no campo “To”, e pressionar a tecla Enter. O mapa irá exibir então todas as rotas aéreas que tem como destino Vancouver.

     Ao analisarmos o mapa vemos que, por exemplo, há 3 cias aéreas que oferecem voos diretos entre Ottawa (código IATA: YOW) e Vancouver. Visto que Ottawa (Capital do Canadá) fica a aproximadamente 198 Km de Montreal, é perfeitamente factível ir de Montreal a Ottawa de carro ou trem, e depois voar de Ottawa até Vancouver. Logo, se você quiser visitar Ottawa e depois seguir para Vancouver, não precisará voltar a Montreal, que também tem voos diretos para Vancouver. Essa opção de voo entre Ottawa e Vancouver também se mostra muito útil caso você não encontre disponibilidade no voo YUL-YVR, mas encontre disponibilidade no voo YOW-YVR. Desta forma, a dica de ouro aqui é: não fique preso a apenas uma cidade! Tenha flexibilidade e procure voos nas cidades próximas, pois você pode encontrar a disponibilidade que faltava para conseguir chegar ao destino seguinte!

     Suponha que de alguma forma qualquer você seguiu a sua RTW e agora se encontra em Tóquio, que possui 2 aeroportos: Haneda (código IATA: HND) e Narita (código IATA: NRT). Por algum motivo em particular (modelo de aeronave específico, novo modelo de assentos na classe executiva, dentre tantos outros) você quer obrigatoriamente sair de Narita e voar com a Japan Airlines, mas você não se importa com a cidade de destino. Desta forma, você pode preencher o campo “From” com NRT, e no filtro de cias aéreas (“Airlines“) você busca e seleciona a Japan Airlines. O resultado será o mapa exibido abaixo.

     Suponha que você está agora em Singapura (código IATA: SIN) e quer ir única e exclusivamente para o principal aeroporto de Bangkok (Suvarnabhumi Airport), cujo código IATA é BKK. Desta forma, agora você irá preencher tanto o campo “From” com SIN quanto o campo “To” com BKK, de modo que serão exibidas as opções de voo abaixo.

     Para finalizar os exemplos sobre o uso do Flight Connections, vou mostrar uma das melhores funcionalidades do site, que é o filtro por Alianças Aéreas. Se você não sabe o que é uma Aliança Aérea, abro um parênteses aqui para te explicar, de forma resumida, nos dois parágrafos a seguir.

     Uma Aliança Aérea, como o próprio nome sugere, é a união de várias cias aéreas com interesses em comum, de modo a permitir, por exemplo, a ampliação da gama de destinos, assentos e horários possíveis para os clientes de cada umas das cias aéreas de determinada Aliança Aérea. Isto é possível porque são disponibilizados para os clientes de cada uma das cias aéreas todos os voos das cias aéreas parceiras, em acordos conhecidos como Code Share. Por exemplo, um cliente da TAP não pode sair de Lisboa para Tóquio utilizando somente voos da TAP, pois essa cia áerea não voa para o Japão a partir de nenhuma cidade do mundo. Porém, como a TAP pertence a uma Aliança Aérea chamada Star Alliance, seus clientes podem, por exemplo, voar de Lisboa (código IATA: LIS) para o aeroporto Domodedovo (código IATA: DME) em Moscou, e de lá voarem até o aeroporto de Haneda, em Tóquio, com a cia aérea ANA (All Nippon Airways), que também pertence à Star Alliance. Confirmem essas rotas no Flight Connections, como exercício.

     Além de compartilharem voos, as cias aéreas integrantes de uma Aliança Aérea tem parcerias também entre os seus programas de fidelidade, o que é excelente! Com esse tipo de parceria, um cliente do programa de fidelidade da TAP (chamado de Miles & Go) pode acumular milhas aéreas voando em qualquer cia aérea da Star Alliance, bem como pode resgatar passagens aéreas nas cias aéreas parceiras utilizando as milhas acumuladas no Miles & Go! Hoje existem 3 Alianças Aéreas Globais: Star Alliance, One World e Sky Team.

     Voltando ao exemplo anterior, dos voos disponíveis entre SIN e BKK, vemos que há 5 possibilidades. Porém, suponha que você tem milhas apenas no programa de fidelidade de alguma cia aérea da Star Alliance, por exemplo no Miles & Go da TAP, e queira utilizar essas milhas para resgatar essa passagem entre SIN e BKK. Será que isso é possível? Basta que na busca você selecione “Star Alliance” no filtro “Alliances“. O resultado será o exibido na figura abaixo.

     Conforme exibido na figura acima, restaram apenas duas opções de cias aéreas, ambas da Star Alliance e excelentes por sinal: Singapore Airlines e Thai Airways. Logo, o que irá ditar prioritariamente a cia aérea a ser escolhida será a disponibilidade de assentos. Se ambas as cias aéreas tiverem assentos disponíveis, e supondo que os preços de passagens pagantes ou de passagens emitidas com milhas sejam semelhantes, então os critérios de escolha passarão a ser estritamente pessoais, tais como: preferência por determinado modelo de aeronave, serviço de bordo, dentre outros.

     O que vocês acharam desta Parte 2 da série sobre Viagens de Volta ao Mundo (RTW)? Compartilhem com quem vocês acharem que pode se interessar. Sigam também o nosso instagram: @viajepravaler. Não percam a Parte 3, que sairá em breve!

6 comentários em “Viagem de Volta ao Mundo (RTW) – Parte 2”

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